segunda-feira, julho 21, 2008

Nas Asas da Saudade

É inútil negar. Famalicão pisca-nos o olho com o seu belo equipamento à Ajax azul.
O tema não é virgem… mas da terra onde Mitharski recuperou alguma da sua dignidade goleadora espera-se sempre qualquer coisa mais, assim como em cada defeso se espera por mais uma contratação de prestígio no domicílio da gaivota.

Alguém como Chano. Porquê Chano? Ou melhor, por que não Chano?
Bem, o certo é que o chamamento tem tanto de irracional quanto de irresistível. E cá vamos nós outra vez, numa marcha pela máquina do tempo até 1995, o ano em que Bruno Caires perfez 19 cândidos aninhos.
O F.C.Famalicão já não respirava os ares impolutos da liga principal. Mas ainda era uma família feliz.

Este quadro impressionista do Portugal pré-moderno faz-nos rejubilar com todo o seu esplendor cromático. Uma autêntica delícia para os sentidos (excepto, eventualmente, para o paladar, o gosto e o tacto. E talvez para a audição. Pronto, é apenas um deleite visual. Provavelmente).

Estavam aqui reunidos todos os predicados necessários para uma época em cheio. Não se descurou nenhum pormenor, nomeadamente:
- Um guarda-redes sósia do Fernando Couto, ou apenas alguém que tropeçou em cima de uma esfregona depois de besuntado em cola, ladeado por um esguio colega cujo fotógrafo ousou cortar da História;
- Um outro goleiro que cruza as mãos de forma semi-bíblica em honra ao seu patrocinador de luvas;
- Um dirigente com bigode e possuindo um gosto pelo kitsch digno de envergonhar qualquer Nel Monteiro;
- Uma equipa técnica onde pontificam indivíduos de bigode old-school e outros de boné e apito a tiracolo;
- Um sujeito gordo que seria a) o roupeiro, b) quem explorava o bar do clube, c) o dono da máquina fotográfica, ou d) uma infeliz coincidência espácio-temporal.

Como o tempo urge, debrucemo-nos sobre alguns casos particulares.
O timoneiro desta nau, Francisco Vital, está ufano com o seu boné, inspirador de tendências Motianas e ocultador da calvície galopante. Quem não se lembra deste fantástico treinador nos seus noventa minutos de infâmia em Leverkusen? Fazemos questão de não olvidar.




Paulo Brás, o multicolorido e famoso guarda-redes que pediu emprestado o seu nome ao bacalhau homónimo. As más-línguas dizem que Brás apenas encontrou o seu espaço nesta galáxia de cromos por ter um gosto pelo vestuário semelhante ao do dirigente que se vê na foto de família. Todavia, isso são apenas atoardas de gente mal-intencionada. Paulo Brás era cromo por mérito próprio e isso vê-se pelo sorriso arrojado que conservava em qualquer situação, especialmente quando era designado a convidar Joãozinho a cessar o seu aquecimento e a entrar no glorioso relvado do Estádio Municipal 22 de Junho.

Joãozinho? Sim, Joãozinho, pequeno no nome mas grande na traquinice. Inseparável apreciador de rebuçados do Doutor Bayard, Joãozinho franzia o sobrolho perante as adversidades e tratava o perigo por tu. Recebia apenas um Sumol como prémio de jogo e ficava todo contente ao saber que, ao contrário do Capri-Sonne, o Sumol já tinha gás – algo que o enchia de orgulho, bem como de problemas do foro gástrico. Joãozinho conferiu uma lufada de ar fresco no balneário famalicense. Especialmente antes de se descalçar.

Quando Joãozinho se descalçava, Pica perdia a pica. Pica não suportava maus odores, especialmente os que não fossem dele. E, diz quem sabe, também não sentia muita pica para jogar à bola. Devido ao comprimento assombroso das suas unhas e à sua técnica apurada, furou algumas bolas e assim fez jus ao nome. Preferia coleccionar selos e calendários e detestava trocadilhos fáceis. Enfim.


Tó Mané, o Sérgio Conceição de Famalicão, construiu o seu afamado nome por estes lados. Todo ele estilo, todo ele classe, manejava com uma perícia inata qualquer substância gelatinosa que se assemelhasse a gel para o cabelo. Uma vez conseguiu um passe perfeito a 50 metros. Mas ninguém viu, o sonho era só dele. Monopolizou o comércio de azeite acima do Rio Ave e granjeou fama por ter resistido a um tufão na América Central sem que o seu cabelo se mexesse. Discutiu bastas vezes com Rosado sobre quem era o verdadeiro galã do balneário.

Rosado, o próprio, dispensa apresentações. Parente distante de Clark Gable, arrasava corações de emigrantes portuguesas no Luxemburgo e pernas adversárias com a mesma facilidade. Uma figura proeminente do imaginário popular, contratada expressamente para guindar Famalicão de novo às luzes da ribalta. Porém, desistiu deste papel ao fim do segundo copo de bagaço e a vida dele por Famalicão repartiu-se entre frequentes visitas aos lavabos e cortes esporádicos no lábio, ao tentar controlar o seu indomável fio supra-labial de pêlo.

No fim desta viagem que nos fez gravitar nas asas da saudade, espera-nos o saudoso Medane, argelino que deu o corpo à expressão “cabelo à tigela”. Medane era a alma dos anos 90, na ressaca do fenómeno grunge. Também foi um avançado que se perdeu de amores pelas bolas bombeadas em profundidade e pelas franjas meticulosamente cuidadas do seu altivo cabelo, que limava como se de um Bonsai se tratasse no início e no fim de cada treino à porta fechada. Cerca de 1,65m de puro estrondo estilístico, que fez as delícias de qualquer aprendiz de barbeiro. Verdadeiro joker do Baixo Minho, Medane era sobejamente conhecido pela graça com que levava calduços de todo o plantel.

Como nota de rodapé, e embora não venha propriamente ao encontro do que já foi escrito nem seja algo de muito relevante para esta exposição, convém esclarecer que este portentoso plantel não recebeu as loas da glória e acabou despromovido no final da época 1995/96. Actualmente, o
F.C. Famalicão deambula, em jeito de sombra errante, pela AF Braga. Snif.

sábado, julho 19, 2008

Take on Poll




















Finalmente a associação possível entre uma votação situada na barra à direita e uma banda dos anos 80.
Assim já não tenho que inventar uma Poll com o nome do Hans Vimmo Eskilsson.

E já que falamos dele, deitem o olhito curioso à 12ª posição desta competição sem bola. Sempre soube que o sueco era um bluff. Não sabia era que tinha levado esse estado de espírito tão à letra.

P.S.: Uma bavaroise de Robaina para o colega João Loff pela chamada de atenção à semelhança entre estes dois cromos.

domingo, julho 13, 2008

Há vacas na Zâmbia?

Esta semana viu desabrochar mais um cromo neste imenso jardim que é a bola lusitana. Um lírio negro, diminuto em tamanho, mas grande na alma conquistadora que invade a Sé de Braga e transborda até à zona limítrofe do concelho que viu nascer o placard dos pneus Ramôa.

Trata-se de algo invulgar, paradoxal, até.
Um cowboy zambiano com coração de artista. Pés aveludados sob um sombrero urbano de pós-modernismo vintage. Um bronzeado Caccioli sob o efeito de LSD. O Dibo séc. XXI com um chapéu porreiro. Uma brisa fresca após uma tempestada de verão.

As referências são extraordinárias. Durante a badalada festa do 12º aniversário de João Moutinho, que teve lugar na semana passada, Pedro Mantorras explicava ao seu filho mais novo (que é professor de educação física do prodígio algarvio) que teria ouvido relatos de inesperada grandeza vindos do zambiano Zesco United. A lenda crescera de forma mais célere do que uma incursão de Gaoussou Fofana pelo flanco direito dos estudantes: vinha aí craque, e dos grandes.

Rainford Kalaba, 1,64m de explosão e 56kg de descaramento, tudo embulhado num bonito pack magistralmente coberto por um chapelinho do mais fino recorte.
Porque il fantasista é assim mesmo - destemido, arrogante, desafiador das mais conservadoras opiniões sobre o que é realmente o futebol. Para ele, o futebol faz-se no momento, muda a cada segundo, inova-se a cada passe, surpreende a cada drible e emociona a cada carícia ao esférico. Com o pequeno cowboy Rainford a conduzir a manada bracarense, a evolução da espécie futebolística é apenas uma mera formalidade.

Porque sim.
Porque ele pode.

A lenda já chegou a Portugal, e a História reescreve-se as we speak. Em dois dias apenas, já nos presenteou com um milagre, como relata o impoluto diário "record":

"Kalaba mostrou que conhece os princípios do jogo e os movimentos, sendo que teve 26 intervenções durante o treino, tendo efectuado 18 passes, cinco dos quais errados, e cinco remates de meia-distância, obtendo um golo. Que mereceu as felicitações de Jorge Jesus. Em inglês, como uma espécie de homenagem."

Cá está, Cowboy Kalaba já fez Jorge Jesus exprimir-se em inglês. Logo ele, que se degladia há décadas contra a língua portuguesa, numa hedionda batalha que já fez mortos, feridos, e famílias enlutadas.

Continua assim, bravo cowboy, e o Mundo será teu.

quarta-feira, julho 09, 2008

Dacroce My Heart


Luiz Carlos Dacroce
chegou a Portugal rotulado de craque. Antiga peça de relevo na engrenagem do Inter de Porto Alegre, foi feliz e contente que desembarcou nesse porto de abrigo chamado Beira-Mar, apenas a três anos de distância de ter marcado um golaço numa semi-final da Libertadores. Terá porventura pensado em repetir o momento pelos aveirenses na meia-final da então estreante Champions League?

Quiçá, pois apesar das partidas de Kangaroo-Kid Bozinovski e Milton "Smiley" Mendes, o plantel beiramarense gozava de grande prestígio em terras de Vera Cruz. Era a loucura entre os jovens brasileiros, que por todo aquele imenso País penduravam posters de Dinis e Krstic nos seus quartos. Ainda me recordo com doce candura dos porta-chaves com a efígie de Eliseu que eram ofertados aquando da compra de uma garrafita de Guaraná Brahma. Eram tempos de euforia, tempos de Acácio, tempos de Vítor Duarte. Foi pena a infame recusa de Serrinha, que na sua tão característica humildade, deu uma nega à vontade de Collor de Mello (o então presidente brasileiro) de rebaptizar a capital Brasília com o seu nome.

Voltemos então a Dacroce. Os sonhos de glória na squadra gialla ficaram pelo caminho, com um modesto 8º lugar, portanto longe da Liga dos Campeões. Dacroce não ficou de braços cruzados e fez uso do seu estatuto de craque para exigir uma transferência para um clube de renome. Seguiu-se o Belenenses, onde para não fugir à tradição, Mílton Mendes deu corda aos sapatos mal ouviu falar no nome deste centrocampista, refugiando o seu sorriso naquela mítica equipa madeirense que tinha alguns jogadores portugueses, mas dos quais ninguém se lembra.

Em Belém, terra onde Jesus não nasceu, o nosso homem voltou a não pegar de estaca, exigindo mais uma transferência após o mundialista David Embé o assediar constantemente nos treinos. A frase "o teu cabelo cheira a algodão-doce" foi suficiente para a PSP obrigar o camaronês a não se chegar a menos de 20m do brasileiro e aconselhar a direcção do clube a transferir o queixoso.

Isto leva-nos a Paços de Ferreira. Apesar de militar na II Divisão, o clube ofereceu-lhe um projecto ambicioso, que tornaria o brasileiro campeão de alguma coisa pela primeira vez na sua vida. Mas algo não batia certo. Desta vez, Mílton Mendes não teve a oportunidade de fugir do referido clube antes da chegada de Dacroce, simplesmente porque nunca jogou lá. Dacroce sentia-se desamparado. "Gosto sempre de ficar com o cacifo do Mílton. Ele deixa aquilo sempre tão arrumadinho e cheiroso. E decora-o com autocolantes do "tou". Gosto disso prá caramba."
Porém, os pacenses conseguiram convencer o quase-genial médio a assinar de qualquer forma, prometendo-lhe um cacifo melhor. Sempre estavam na Capital do Móvel. Foi assim que o convenceram. Isso, e uma carga de porrada que o defesa-central José Mota carinhosamente administrou a meias com Sessay.
Mas apesar deste início auspicioso, o trio de meio-campo Bozinovski/Sessay/Dacroce não conseguiu carregar a vila pacense à Divisão maior da nossa bola, e Dacroce exigiu a sua saída. Surpreso? Pois claro.
















Nova paragem? Chaves.
Dacroce foi recebido com pompa e circunstância num airoso Municipal de Chaves ainda abalado com a abalada saída de J'aime "Zidane de Amarante" Cerqueira para Barcelos. Pétalas de rosas eram atiradas à sua passagem. Amarildo e Guetov presentearam-no com uma bela folha A4 com um desenho a lápis de côr da sua autoria. Manuel Correia deixou-o afagar o seu bigode. Daní Diaz, Míner e Toniño cozinharam-lhe um pratinho de pimentos padrón.
Dacroce
respondeu com amizade: "Pimentos Padrón, uns pican e outros nón".
Frase essa que até hoje ecoa pelos húmidos, frios e desconfortáveis corredores do Municipal Flaviense. Por aí, e pela Europa toda, claro.
Mas mais uma vez, o final não foi feliz. O 15º lugar foi pouco para um homem habituado a grandes palcos e a meter 124 ervilhas na boca em simultâneo só com a ajuda do dedo mindinho.
Como tal, mais uma vez, pediu a disp...
Não.
Eis que vos enganais.

Luiz Carlos Dacroce, sempre imprevisível, decidiu continuar em Aquae Flaviae (a cidade, não o hotel cujos painéis publicitários forravam o Municipal de Chaves), dada a sua quentinha e aconchegada amizade com Zoran Bukcevic e Vinagre. Os três mantiveram-se no plantel para a época seguinte, que os viu miraculosamente atingir uma imaculada 10º posição no final, facto que não será alheio à contratação de 42 reforços, entre os quais se encontravam Tito, Luís Vasco, Putnik, Sabou, Parfait N'Dong, Matute e N'Tsunda.
Uma verdadeira All-Star Team cromíflua, cuja fartura de incandescentes estrelas levou o ofuscado Dacroce a partir para paragens onde pudesse, de uma vez por todas, assumir o papel de Deus incontestável, um pouco à imagem de Alfredo Bóia no Desportivo das Aves.

Assim, e com o objectivo meia-final da Champions League sempre no horizonte, decidiu sabiamente embarcar numa aventura por terras gregas, onde representou verdadeiros dejectos mal-cheirosos em forma de clube como o Apollon Kalamarias e o Messianiakos.

Desiludido, abandonou o futebol em 2003, uma época DEPOIS de Mílton Mendes abandonar a prática da co-habitação sorriso/bola na poderosa formação do Machico. Mas nos nossos corações perdura a tua imagem com a camisola do Barça, letreiro branco Tintas Europa 24m x 12m no peito, e a boca cheia de ervilhas.

Boa sorte, Cross.

terça-feira, julho 08, 2008

Vicente & Cerqueira

Muitos de vós haveis pensado, verificando o título deste post, que iria discorrer novamente sobre esse grande mito que é J’aime Cerqueira e o “seu” Gil Vicente.
Nada mais erróneo. As aventuras deste lendário construtor civil no não menos fantástico galinh… er, estádio, Adelino Ribeiro Novo já foram correctamente dissecadas em tempos idos.
Aquilo que eu quero aflorar é a solidez compacta deste duo defensivo que deixou marcas no Alto Tâmega no derradeiro estertor da década de 80.

A cidade de Flávio, aclamada por ter acolhido monstros sagrados da estirpe de Putnik, Saavedra ou Zdravkov, também se celebrizou pela guarida que proporcionou a esta dupla de betão que o cromo tão bem ilustra.


Vicente, o duro, olha com desdém para o fotógrafo. A sua boca conserva o molde típico de quem está acostumado a brincar com um palito de madeira, mas o palito não está lá, provavelmente por ter ficado retido no balneário – quem sabe se escondido por Jorge Silvério ou por Luís Saura, numa das suas costumeiras traquinices. E isso enraivece Vicente. O seu rosto adopta uma expressão de rufia temerário que pede meças àquela que Armando “Le Petit” Teixeira assume nos seus diálogos existenciais com o árbitro. Vicente lança o alerta: está disposto a morder o mais afoito avançado que ouse perturbar o seu raio de acção, seja ele o “papa” João Luís II ou o arisco Forbs, já que a foto foi tirada no velho Alvalade XX. O seu cabelo pende teimosamente para a frente, escondendo os olhos chispando sangue de tanta fúria. Vicente está claramente apostado em demonstrar que é ele o mandão para lá do Marão. O fotógrafo sente-se intimidado e afasta as suas atenções de Vicente, antes que seja surpreendido por uma cabeçada do mesmo.

E então volta-se para Cerqueira. Incapaz de controlar o seu raivoso parceiro, Cerqueira, o Tony Danza transmontano, posa com dignidade para a posteridade. Denota um certo enfado, é certo, mas mantém a tranquilidade que Vicente não se esforça por manter. Cerqueira foi, por si só, um exemplo de profissionalismo e abnegação e nunca cedeu à moda do bigode, nem quando mereceu a companhia desse verdadeiro contraplacado humano que era Manuel Correia. Mas há mais. Cerqueira não só se notabilizou por lances de magia pura no rectângulo verde (como eram belos os irrepreensíveis atrasos para o seu guarda-redes, que ainda podia agarrar a bola naquele tempo…), como também por ter falhado miseravelmente no casting para a última temporada de “Chefe, Mas Pouco”, ao não conseguir desviar os olhos da ainda jovem e sempre imberbe AlyssaA.C.” Milan(o).
Resultado: Hollywood perdeu uma vedeta, mas o Grupo Desportivo de Chaves ganhou um razoável defesa, capaz de temperar a ira de Vicente com toques de personalidade espalhados aqui e ali nas canelas dos avançados contrários.

O patrocínio diz tudo: com oponentes deste calibre, tudo o que os dianteiros adversários podiam ambicionar era um copinho de água, mas beberricado com moderação. Nada de golos. “Golos não, galos sim” era o lema desta inefável dupla.

sábado, julho 05, 2008

"Preliminarus Poll Renivaldo Pereira de Jesus"


A "Preliminarus Poll Renivaldo Pereira de Jesus" já está online, colocada a partir da mesa wireless na pizzaria do Caccioli em Barcelos. Pedimos uma pizza alpina, visto que esta murrinha irritante nos inibe de pedir a veranesca tropical. A alpina tem bacon, Brundin e azeitonas. Valeu pelas azeitonas, porque normalmente ponho o Brundin de lado no prato.

O Caccioli perdeu as estribeiras porque supostamente eu deveria ter dito que preferia antes Octaviano com o bacon. Lá foi mais Brundin para o lixo. E tantas famílias por aí a precisarem disso.

Adiante. O comité reuniu-se na dita mesa, cuja toalha parecia o equipamento da União de Leiria na Era Bambo, e decidiu convocar os seguintes nomes:

- Ronny (need I say more?)
- Jaime (quem falha um penalty à Panenka no final de um jogo importante e rescinde logo de seguida, tem lugar em qualquer poll. QUALQUER.)
- Zoro (um digno sucessor de Jorge Soares, King ou Bermudéz)
- Edcarlos (um digno sucessor de Topo Giggio)
- Gladstone (mau, péssimo, paupérrimo)
- Marian Had (quem?ah, pois...)
- Andrés Diaz (mantenho a minha: UM minuto no campeonato tem que ser um recorde)
- Lino (faz o pessoal ter saudades de Ezequias - e isso diz tudo)
- Luís Filipe (o verdadeiro ficou em Braga - este é um E.T. enviado pelo Vasco Granja)
- Jessuí (“Quero chegar e rebentar”, avisa Jessui, o novo avançado leiriense. KABUM.)

Força nisso, minha gente. Armando "Le Petit" Teixeira, Delson, Mrdakovic e Edu Castigo aguardam por companhia masculina para prosseguir a festa.

quarta-feira, julho 02, 2008

Quem? Como? Porquê?

Eu lembro-me de Maurício “El Turco” Hanuch.
Não propriamente das suas arrancadas velozes, nem do seu drible estonteante, nem da sua capacidade atlética, nem do poder de antecipação, nem mesmo do seu remate fulminante e espontâneo.
Lembro-me apenas que Hanuch existiu.
Algures entre DidierMartini MetzLang e JovanI’m the real thingKirovski, houve um Hanuch ululante no balneário do leão. Qual OJNI (Objecto/Jogador Não Identificado), Hanuch ainda hoje assombra as memórias dos mais cépticos cromos. Sretenovic e Buturovic entreolham-se espantados, não acreditando que é possível ser-se tão anónimo, enquanto Ivo Damas resigna-se ao conforto de uma Tagus em promoção e Arnold Wetl canta um tirolês nervoso para descomprimir, escondendo-se atrás da selvagem penugem de Paulinho César.
A imagem que a seguir reproduzimos é extremamente rara – possivelmente será montagem: Hanuch… a festejar depois de ter encontrado o caminho das redes? Hanuch, apesar do seu low-profile, fascina. Fascina por motivos desconhecidos, como desconhecidos foram os motivos porque Sporting e Benfica se digladiaram por este fantasma dos balneários no longínquo ano de 1999 e desconhecida é a sua propalada qualidade futebolística.
Tanto assim é que a Wikipedia (que não está só) mantém um registo actualizado do jogador. Sabemos agora que somou 10 presenças com a camisola verde-branca (será que contam as vezes que espreitou o campo desde os túneis de acesso?), iluminou os caminhos de fortuna do poderoso Platense, alegrou a canalha do Santa Clara e caiu que nem uma luva na mesa do emergente Talleres, possivelmente no papel de colher de sobremesa. Recentemente, parece que agendou uma visita à reconhecidamente afável Alnia, para ver como estava o ambiente no sempre interessante Dínamo Tirana – onde teve a boa companhia deste simpático lateral-direito, cujo nome promete fazer furor se algum dia vier a jogar na liga lusa que outrora foi de Calado.
Mais intrigante é o facto de Hanuch surgir no célebre Football Manager, como em seguida demonstramos:

O comentário que vinha adstrito a esta imagem era: “old and average”. Abstenho-me sobre mais comentários a propósito de Maurício “El Fantasma” Hanuch.

terça-feira, julho 01, 2008

Anderson POLLga Ataca de Novo

Salud, Pueblo de la Buela.

Saudamos vivamente o vitoriano Mrdakovic e o simpático Edu Castigo, pois os seus progenitores conseguiram escarrapachar-lhes nomes de tal ordem imbecis, que praticamente obrigaram o Universo a encaixá-los no panteão dos imortais.

Prosseguimos então com a corrida para o prestigiado galardão de Cromo do Ano de 2007. E desta vez prometemos ser mais breves, senão quando terminarmos a votação já estaremos em 2009. Certinho.

Depois da Preliminarus Poll Nominalus, segue-se a "Preliminarus Poll Renivaldo Pereira de Jesus" para premiar os mais desinspirados desempenhos em campo do ano civil de 2007.

Altos, baixos, Gisvi, gordos, baixos, com bigode, Gisvi, sem bigode, Gisvi, com mullet, cabeça rapada ou cabeleira à Hans Vimmo Eskilsson, tudo o que vem à rede é Gisvi. Aqui o que interessa é mesmo a capacidade de utilizar os dois pés (ou um - não somos esquisitos) como um par de tijolos mal amanhados.

Os dois mais votados irão ganhar uma viagem em 1a classe para a Supra Poll Final, onde já estão confortávelmente alapados Armando "Le Petit" Teixeira, Delson, e os recém-chegados Mrdakovic e Edu Castigo. Que partilhem o trono de forma ordeira, e comentem o cheiro a relvinha fresca de manhã (coisa que César Peixoto nunca experimentou, pois da única vez que viu relva da parte de manhã, foi quando acordou numa poça do seu próprio vómito ao lado de uma vaca malhada num campo em Oliveira de Azeméis).

Ora, antes de arrancarmos com a novel Poll, queremos a vossa opinião sobre os nomes que a poderão preencher. Não sejam parcos em arremessar-nos os Luíses Filipes deste mundo. Encham-nos a caixa de comentários de mrda(kovic).

Kmet Pena

Julián Kmet tinha tudo para dar certo: jovem promessa, internacional nas camadas jovens argentinas e carregando no curriculum lendas sobre um pé esquerdo capaz de manusear um abre-latas para abrir uma lata de suculentos pêssegos em calda. Uma autêntica proto-vedeta do novo milénio. Muito longe, portanto, das trunfas Eskilssianas ou dos bigodes Agatãonescos que marcaram indelevelmente o nosso imaginário e que caracterizaram o ocaso do futebol romântico. Mesmo que “Agatão” e “romântico” na mesma frase possa soar absurdo.


Kmet era um diamante em bruto e portanto foi pago como tal. Afinal, seria um putativo “novo Maradona”. Jogaria exemplarmente pela banda esquerda… mas depois também já jogava com a mesma bitola exibicional pelo meio… e consta que também se ajeitava pela direita. Os corações palpitavam por Kmet. Custou aproximadamente o mesmo, mais milhão, menos milhão, que outra grande promessa acostada na temporada anterior ali perto do metro do Campo Grande, de seu nome Carlos Miguel, esse dispendioso meteoro que cruzou a galáxia futebolística lusa com uma impressionante técnica para aquecer as frias bancadas de betão dos estádios portugueses pré-Euro.

O sucesso foi igualmente semelhante ao do seu comparsa brasileiro. Ambos verdadeiros filósofos da bola, ambos mestres na jogada culta, ambos elegância e souplesse, ambos muito adeptos da primazia mental sobre o bruto esforço físico. Os dois pensavam, teorizavam, dissecavam e matutavam sobre as propriedades do esférico a rolar no rectângulo verde. Paravam no campo e pegavam na pelota, transmutavam-se em Hamlet e o globo de cautchu transformava-se em caveira e perguntavam “Ser ou não ser [jogador], eis a questão”. Enquanto isto, Luís Vidigal & Cia. faziam-se à vida e corriam pela redondinha, eventualmente maltratando-a, mas dando-lhe movimento.

Kmet desesperava sofregamente por uma oportunidade de dar uma aragem de superioridade cerebral dentro de campo. O seu sonho era ministrar uma palestra sobre a beleza poética de uma bola parada em cima de um relvado acometido por uma suave brisa vespertina. Desesperou tanto que o cabelo ganhou madeixas louras – se fosse mais velho, tipo Acosta, ganharia os cabelos brancos da praxe. Mas Mirko Jozic não estava para aí virado, pois Bruno Marioni (aka Giménez) e César Ramirez davam espectáculo nos treinos a fintar cones laranjas, para grande deleite de todo o plantel, excepto para Krpan, que piorava a sua situação ocular perante todo aquele potencial técnico da diabólica dupla sul-americana.

Kmet jogou apenas os mais belos 14 minutos da história do futebol português, plenos de sagacidade e acutilância mental. Era muito pouco para tão grandes aspirações.
Então Kmet voltou para onde tinha sido feliz – o colossal Lanus. Passados uns meses, já com o antipático Jozic fora da nau verde, regressou à terra de Quim Berto para explanar a sua tese de mestrado em futebol amorfo ao dr. Materazzi, célebre por ter incubado um pequeno Frankenstein, Marco de seu nome.
Porém, estava escrito nas estrelas que Kmet, lamentavelmente, não singraria. As mentalidades ainda não estavam suficientemente preparadas para todo aquele arrojo intelectual e desprendimento físico que fazia Pedro Barbosa parecer a locomotiva desenfreada do “Regresso ao Futuro – parte III”.

De Kmet sabemos que exibiu toda a sua vitalidade capilar pelas pampas em clubes como o Estudiantes e o Newell’s Old Boys, com mais ou menos madeixas, mais ou menos movimento. E hoje, com 30 anos, continua a ser dos jogadores mais incompreendidos a ter passado pelo futebol indígena. Incompreendidos ou incompreensíveis, tanto faz.

segunda-feira, junho 30, 2008

Chaos A.D.

São evidentes os sinais de mudança do Mundo.

Vede, irmãos da bola: que me caiam as lendárias cabeleiras do Paulo Madeira e do Fernando Couto em cima se o vocalista dos Sepultura não vai jogar no Sport Lisboa, depois de ter perdido uns quilitos. Ou, em alternativa, se o novel reforço dos vizinhos do Colombo com apelido de famoso boxeur não é mais conhecido no mundo do espectáculo por ter gritado “Refuse/ Resist” do que propriamente pelas suas capacidades futebolísticas.

As faixas laterais lusas, que foram o “Territory” de extremos carismáticos como Marito ou Rebelo e que deixaram a porta do estrelato entreaberta a fenómenos como Porfírio e Speedy Dominguez, estarão agora entregues aos devaneios do "trash-metal".

Temo seriamente pela Bergessiação descontrolada do futebol português, traduzida em cruzamentos cacofónicos e dribles com direito a "headbanging".
A confusão está instalada.
Vem aí o “Chaos A.D.
PS: Olá, o meu nome é Sr. Rodrigues e sou novo neste aprazível balneário. Quero que saibam que tenho um fato de treino da Aronick de 1990.

domingo, junho 29, 2008

Pobre Bock

A vida é isto mesmo, Fernando Oliveira.

Um golo mais, um gole a mais.

Fartura e esplendor, espuma e gás. Um ponta-de-lança com propensão para trocadilhos fáceis.

Fernando Oliveira nasceu no Porto, nos idos de 1975. Formou-se como jogador no azul-e-branco clube local. Aí, presume-se, ganhou aptidões únicas. Uma relação orgásmica com o golo. Um epíteto que marca, de forma indelével, todo o futebol nortenho. Fernando é Bock, recebeu de braços e goelas abertas a sua notável alcunha. Bock é, sem complacências, um super goleador esquecido, poeta maldito do golo, homónimo de cerveja famosa, tudo num só corpo sedento de sentir as redes a balouçar.

Podia ser ficção. Talvez um Robin Hood das divisões inferiores. Quiçá um modesto Hercule Poirot a detectar as pistas do golo. Ou um rebelde incompreendido, o James Dean de Vizela. Mas não. Bock e a sua desdita são cruelmente reais, como mais um despiste no IP4.

A Bock só lhe faltou ser, realmente, super. Domingo após Domingo, Bock cirandou pelas hospitaleiras localidades entre Douro e Minho, no seu afã habitual por entre defesas incautos e guarda-redes desamparados. Labutou, porfiou, alcançou. Bock não parou. Bock facturou e facturou, encheu de alegria os adeptos locais. Glória. Esplendor. O terror dos adversários, sempre com um sorriso humilde a transbordar-lhe da boca. Chuteiras afinadas e remates certeiros, a vida de Bock confunde-se com o golo, para ele vive, dele sobrevive. Bock libertou Freamunde dos jugos neo-imperialistas de Paços de Ferreira, vizinhos aburguesados da Primeira Liga, deu-lhes uma razão para acreditar que era possível ser maior e melhor.

Uma eterna promessa que aguardou pela concretização… A história de Bock é tão linda quanto trágica, porquanto Bock obteve um sucesso local esmagador que nunca extravasou os muros imaginários da II Divisão, a despeito de tanto golo, tanta alegria proporcionada, tanto abraço de companheiro e de aficionado.









Bock podia ser mais uma atracção da tasca, mais um jogador de sueca ou dominó. Mas não; não se resignou e forneceu-nos, a todos nós, o verdadeiro sentido da vida: nunca desistir, sonhar até morrer, marcar um golo aqui e ali. Em Freamunde ou em Caldas de Vizela, resiste e esquece-te que te chamas Fernando Oliveira, a vida brilhará àquele que estende a esperança e a alegria aos que lhe seguem, figuras sombrias do fado que é esta vida de anonimato.

Este predador perdido no obscurantismo, vampiro da grande área, marcou que se fartou. Sempre mais ou menos ignorado pelos menos informados, mais interessados em produtos instantâneos ao olhar, nos grandes e caros artigos de montra, tipo Postigas, Nunos Gomes e Pauletas. Bock lá estava, atrás, furando marcações, atento à linha do fora-de-jogo, remetido para as prateleiras mais recônditas. Um modesto culto da personalidade, bem à sua imagem, desenvolveu-se à sua volta, reclamando-lhe o estatuto.

Passou por Maia, Amarante e Lixa, dali abalou como folha caduca voando ao vento, já com o olhar em Freamunde, onde explodiria, versejando ao ritmo do último toque em direcção às malhas. Pensavam os adeptos, este tem mesmo que sair, é muito bom, com demasiado gás para conseguirmos retê-lo por aqui, nos confins do semi-profissionalismo futebolês lusitano. Um Bock topo de gama. Saiu para o que muitos consideravam uma escalada progressiva rumo ao topo do mundo. O que se seguiu foi Trofense, Marco, Ermesinde, Marco e Leixões. A arrancada tardava. Bock lá ia amansando a bola, indicando-lhe com meiguice “o golo é já aqui”. Mas o sucesso, o reconhecimento, onde ficam?

A massa associativa de Freamunde resgatou de novo o seu filho adoptivo pródigo. Relançou de novo todo o seu instinto goleador. Hoje, a contabilidade dos golos já ultrapassa os cem, foi duas vezes melhor goleador dos campeonatos nacionais, médias inclusivamente superiores a um golo por jogo. E, já a perspectivar o ocaso desta incompreensivelmente desconhecida carreira, regressou ao segundo escalão português. Podia ser desta. Tinha voltado a subir o degrau, as ambições eram legítimas. Debalde. As nuvens não tardaram.

Os últimos ecos deram conta de um desaguisado entre o treinador dessa equipa, o Vizela, por sinal carente de golos, e Bock. Bock, pura e simplesmente… não jogava! Não tinha oportunidade de explanar todo o seu manancial de remates e cabeceamentos fatais, não podia fazer o que mais gostava. Mais uma vez, todas as portas ilustres se fecharam, desprezando o seu currículo construído com suor e golos. Não teve alternativa: empacotou a trouxa e regressou, outra vez, aonde lhe conseguiam dar crédito: Freamunde. A propósito da despedida, o amargurado Bock confidenciou: “No dia da rescisão o técnico fugiu de mim, evitou falar comigo e não esteve na reunião que tive com a direcção. Tive de pedir ao presidente para me permitir ir ao balneário despedir dos colegas.”

Em Freamunde agradeceram. Com muita comiseração, assistem ao seu actual símbolo de volta aos únicos balneários onde sempre se sentiu acarinhado, mesmo sabendo que tal só é possível por manifesta desatenção dos grandes senhores do futebol. Ninguém quer saber de Bock. Ninguém quer olhar para os golos que Bock marca. Ninguém quer um avançado português competente nas suas fileiras. Ninguém quer mais um nome esquisito para ombrear com Sokotas, Kikins ou Buenos.

Bock resignou-se, enfim. 31 anos já não dão azo a grandes utopias. Está destinado a ser o profeta dos mais fracos, um anti-herói forçado pelas circunstâncias mais ou menos funestas que se atravessam no percurso da gente esforçada, mas sem o favorecimento dos astros. Uma história que acabou estranhamente como tantas outras, depois de tanto fulgor evidenciado.

Bock desabafou: “Encontro-me no auge das minhas capacidades como jogador e goleador e só lamento não conseguir concretizar o sonho de jogar na SuperLiga. Cada um nasce para o que nasce, e se calhar, por muito que dê nas vistas, não sairei deste escalão. Mas se tiver que ser assim, que seja sempre ao serviço do Freamunde”.

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NOTA: Este belo texto foi redigido pelo nosso novo colaborador, que em breve fará a sua primeira aparição em conferência de imprensa, devidamente adornado com um boné laranja da JCA. Que seja a primeira de muitas investidas gloriosas, e que o destino não lhe deixe apenas participar num par de treinos, tal qual Rushfeld ou Luzhny. Um massivo Bem-Haja, e seja bem vindo.

terça-feira, junho 24, 2008

SÃO JOÃO, SÃO JOÃO



Hoje é dia de Romaria, de São João! Por isso, todos em côro:
"São João Manuel Pinto
Bem bonito que ele é
Bem bonito que ele é
Com os seus caracois d'ouro
E o seu sotaque dhupinha de madha ao pé
E o seu sotaque duphpinha de madha ao pé
Não há nenhum assim
Pelo menos para mim
Com tantos caracóis só mesmo o Quim

São José Veiga já se acabou
O São Vieira está-se a acabar
S. João, S. João, S. João,
Toma um balão e vai pro Sion jogar


Bis bis..
São José Veiga já se acabou
O São Vieira está-se a acabar
S. João, S. João, S. João,
Toma um balão e vai pro Sion jogar"

sábado, junho 14, 2008

Evariste Sob Dibo, o Pequeno Artista


Sob Evariste Dibo é um nome carregado de simbolismo, alma e magia.
Arte em estado puro. Pureza em estado artístico. A leveza do ser futebolístico em pura comunhão com os quatro elementos.

Um artista é na maioria das vezes um incompreendido, um pária da sociedade. Um sonhador utópico desligado daquilo que nos mantém como parte da engrenagem que faz funcionar esta grande máquina a que chamamos (Nuno) Sociedade.

Qual tigre de papel numa selva urbana, o sonhador costa-marfinense assentou arraiais na frondosa vila Condal sem saber muito bem o que o esperava. Colocado por Clark Gable numa posição mais recuada no terreno, o pequeno fantasista era como um belo peixinho dourado num baço saco de plástico. Claro que queria deslumbrar casas de banho por esse planeta fora num pomposo aquário...e tinha potencial para o fazer. Mas preso num saquinho de plástico poderia apenas rezar para que o resgatassem do anonimato e o despejassem em algo melhor.
Sendo que apenas existiam duas opções - a sanita ou o aquário - Sob não demorou a escolher a segunda. E em boa hora.

Assim que se encontrou solto de amarras, o Pequeno Artista assumiu a camisola 10 como uma segunda pele, pousou a alva tela sobre o cavalete, sacou os pincéis do bolso do equipamento (mesmo por baixo do "O" da palavra "RECHEIO") e pintou.

Pintou.

Pintou o céu, tocando-lhe com dois dedos. Dois dedos de conversa, dois dedos de prazer, dois dedos de imortalidade, uma mão de Vata. Em poucos segundos, o Céu Futebolístico era Marco de Canaveses e Evariste Sob era Avelino Ferreira Torres. O Céu Futebolístico era o Texas e Dibo era Walker, o Ranger.
Carte Blanche para o inevitável encontro com o destino para um jantar a dois. A ementa? Magia.

Evariste Sob, o Pequeno Mágico, pintava. Pinceladas de criatividade, perícia e maestria em tons de verde-alface, que contrastavam com a palete de tons acinzentados que Baíca, China, Emanuel ou Luís Coentrão emprestavam ao meio-campo vilacondense. Os adeptos exultavam perante um diminuto Miguel Ângelo negro que todos os fins-de-semana lhes oferecia um pouco mais da sua própria Capela Sistina.

Porém, todas as belas histórias têm o seu final. Todo o Batman tem o seu Joker, todo o Armando Sá tem o seu Cândido Costa e todo o Vale e Azevedo tem o seu tribunal. Sob Evariste?
Tinha algo bem mais grave. Uma nemesis, que não sendo exterior, fazia parte de si mesmo. Como qualquer bom artista que se preze, o costa-marfinense distraía-se com relativa facilidade. O seu calcanhar de Aquiles eram mesmo os aeroportos.

Raramente apanhava o vôo que lhe era destinado, dada a facilidade com que se perdia nos amplos corredores destas gigantescas construções vanguardistas. Observava os bifes e os camónes embarcando em vôos para o Algarve, via emigrantes felizes em Agosto e Dezembro fugindo de Paris para o Sá Carneiro sob a égide triunfal de Graciano Saga, o Dinis da música popular portuguesa.

E por ali ficava. Ocasionalmente sentava o seu mágico traseiro no chão e pintava o rebuliço das gentes, em troca de uma sandes de requeijão ou um CD de Hall & Oates. O seu vôo? Uma memória distante apenas. O que interessava era o nascer de uma nova vida sob a forma de uma folha de papel enrugada com uns rabiscos a lápis. E quem o poderá culpar? Não será o RECHEIO de carne picada deste pastel de chaves que é a vida feito destes momentos de abstracção e alienamento que nos levam a descobrir quem afinal somos?

Quem é afinal Evariste Sob Dibo senão um artista?

quinta-feira, junho 12, 2008

Convocatória

Bem Hajam, Povo da Bola.

Dada a nossa vontade de melhorar o serviço prestado à comunidade cromática, decidimos alargar o nosso leque de opções postágicas, adicionando assim um novo membro ao extenso plantel de dois elementos.

Como o tempo da ditadura já lá vai (o último déspota conhecido à Bola foi Czar Dimitri Prokopenko, no Ano V D.D. - Depois de Dacroce), decidimos democratizar esta iniciativa, alargando-a ao Povo da Bola.

Para tal, tereis apenas que enviar via mail (destacado na barra lateral) uma crónica referente a um cromo à vossa escolha. Por favor evitem linguagem grosseira, referências a jogos de bastidores e panados.

Aguardamos a vossa comparência neste contínuo baile de debutantes que é a vida. Façam-se à estrada, companheiros.

Blog de regresso



Superados os problemas logísticos, estamos de regresso aos grandes palcos, tal como o Afonso Martins ao balcão de um McDonalds.

Em breve retomaremos a incessante balbúrdia reflectida em posts sem sequência lógica e com erros de sintaxe.

Bem Hajam.

sábado, maio 31, 2008

Devigor

Tu és um jogador com vigor.. Tu és homem de vigor..

Senhor Valdo Euclides da Costa, nascido em Angola , veio em 1977 para Portugal para jogar no Benfica, e sim jogou! no Benfica de Castelo Branco..

Ora, um tal de Nabeiro, o Sr Delta poderoso em terras de Campomaior, viu o jogador e achou curioso poder ter um jogador que era exactamente o efeito desejado para uma boa publicidade de café.

"Café Delta com Vigor, pergunte ao Devigor" ..

Partilhou o clube, as instalações, as camisolas.. o café.. com Carlos Martins e Cao, num belo plantel dos galgos alentejanos. Infelizmente para Devigor, o clube acabou e rumou ao vizinho Estrela de Portalegre...bem, mas que sorte e sina teve este angolano! Após uma boa época desta equipa, o certo é que o clube também acabou..

Devigor = Clube devedor.

Daí ter pensado que o melhor era ir para um clube que não podia dever, tal seria a heresia! E assim foi , para o Fátima! Algo persegue Devigor.. nao é que o Fátima sobe de divisão para a II Liga, mas Devigor não segue para o plantel da epoca seguinte? Ora bem...foi para o Louletano. Um sempre candidato a subir! E o facto é que com Devigor.. o Louletano desceu à III Divisão..

DEVIGOR, ÉS O MAIOR.

domingo, maio 25, 2008

Fazendo Orelhas Moucas ao Bom Senso















in, Wikipedia:
- Mr. Potato Head is a popular children's toy, first sold in 1952 by Hasbro,consisting of a plastic model of a potato which can be decorated with attachable plastic parts, such as a mustache, hat and nose, to make a face.

in, Cromos da Bola:
- Luís Filipe Vieira is a popular Chrome of The Ball, best known for his marvellous contradictions. Some examples, as in Maisfutebol, 19 Abril 2008:


«Temos a coluna vertebral do futuro campeão europeu. Queremos só fazer alguns reajustamentos, sabendo que temos um grande técnico (Jesualdo Ferreira)» (28 de Abril de 2002)

«Não faço mais comentários, a não ser que o Major é um homem sério» (20 de Abril de 2004, quando surgiram as primeiras notícias do caso «Apito Dourado»)

«No domingo, no jogo com o Chelsea, iremos apresentar dois grandes internacionais» (14 de Julho de 2005, referindo-se a Léo...e Tomasson)

«Não sei se é possível falar em aproximação entre FC Porto e Sporting. Sou daqueles que acreditam que tem de existir coerência. Quem me conhece no futebol e na vida empresarial sabe que o que disse há quatro anos ainda vale hoje» (5 de Abril de 2006)

«Qualquer dia os mafiosos italianos têm de tirar um curso em Portugal. Devia ter acontecido o mesmo aqui. O que se passou em Itália foi um brinquedo com o que se passou em Portugal» (4 Agosto 2006)

«A dívida do Benfica não assusta ninguém, deixem chegar o Benfica a 2011 e verão que o Benfica será um colosso europeu, para não dizer mundial» (21 de Setembro de 2006, em entrevista à RTP)

«Vi o filme «O Padrinho» aqui há uns tempos e também lá o protagonista ia à igreja todos os dias e também mandava matar» (23 de Junho de 2007)

«Para o Simão sair, já disse o que é preciso. Se alguém pagar a cláusula de rescisão, não podemos fazer nada» (19 de Julho de 2007)

«Há um montante de 20 milhões de euros pagos de imediato e mais dois jogadores que o Benfica tem opção até determinado ano para os escolher. Na nossa óptica irá passar largamente os 25 milhões» (26 de Julho 2007, justificando a saída de Simão por um valor abaixo da cláusula de rescisão)

«Sabemos que estamos a construir a equipa mais forte dos últimos dez anos do Benfica. Temos grandes ambições e o nosso técnico deve estar muito feliz com o plantel que tem. Qualquer treinador do Mundo gostaria de ser treinador do Benfica com este plantel» (26 de Julho de 2007, depois de Fernando Santos ter dito que perder Simão seria um pesadelo)

«Se eu fosse o treinador só queria dormir, porque quando acordasse não sabia qual a equipa que ia pôr a jogar, com tanta qualidade» (no mês seguinte, ainda reagindo às palavras de Fernando Santos)

«Desde a pré-época que o Benfica não vive dias tranquilos. Os jogadores precisam de estabilidade, o que neste momento não têm» (Nuno Gomes, a 18 de Agosto de 2007, após o empate com o Leixões, na jornada inaugural)

«Não percebo como se pede tranquilidade e condições de trabalho. Se há coisa que há neste clube é tranquilidade!» (21 de Agosto de 2007, em resposta a Nuno Gomes, um dia depois de ter despedido Fernando Santos)

«Na primeira vez que Camacho esteve cá o Benfica poderia ter contratado o Ronaldinho por 10 milhões de euros e eu assustei-me um pouco, porque sei como foi a transferência do Simão na altura, logo seguida de uma lesão grave, no Bessa», (a 11 de Novembro de 2007, em entrevista ao Diário de Notícias e à TSF)

«Posso não perceber de futebol como um distinto benfiquista tem dito, mas sei gerir o Benfica e sei qual o caminho a seguir. Um dia vai engolir essas palavras, porque já houve muita destruição e se calhar gostaria que o Benfica estivesse a ser destruído diariamente, mas não vai ser.» (a 5 de Janeiro, em resposta a críticas de José Veiga.)

«Se cometemos alguns erros foi por andar muito depressa com este projecto. O meu lugar é muito cobiçado e o Benfica é muito apetitoso» (a 12 de Março, em Getafe, após a eliminação da Taça UEFA.)

«Se calhar foi mau para o Benfica ter sido campeão recentemente» (30 de Março de 2008)

«A partir do próximo ano vai surgir um novo modelo para coordenar todo o futebol encarnado onde eu não interfiro mais» (31 de Março de 2008)

Resposta de Rui Costa:: «Os presidentes não estão lá só para ocupar a cadeira» (31 de Março de 2008)

“O Benfica não vai participar na Taça da Liga” - 19-05-07

"Ninguém terá tanto sucesso em Portugal como o Benfica" - 28-02-07

"Depois do Verão, seremos o maior clube do mundo" - 29-04-2006

"Vamos ser campeões doa a quem doer" - 04-10-2005

"Queremos ser campeões europeus" - 16-07-05

"Só o Benfica enche estádios" - 16-07-05

"Vamos arrasar pela Europa fora" - 17-04-05

"Vocês já me conhecem um pouco, não sou homem de protagonismo. Sou um homem discreto." Entrevista a O JOGO 18/10/2003

"Nos próximos três anos resolveremos todos os problemas do Benfica. Não faço promessas aos sócios". Luís Filipe Vieira, in A Bola

"Dentro de 3 anos o Benfica será o maior do mundo" - 19-04-2003

"É possível termos meio milhão de sócios em 2003." Outubro 2002

"O objectivo é termos 500 mil sócios daqui a três anos." Outubro 2003

"O Benfica será mais forte que o Real Madrid" 19-04-2003 Entrevista a O JOGO

"Se o Porto fosse excluido da LC, o Benfica não podia aceitar um lugar que não tinha conquistado no campo." - Julho 2008

"Tenho muito orgulho nas minhas escutas." - Julho 2008

"Tudo o que o Benfica faz é lutar pela verdade no futebol" - Julho 2008

LE FIN

Batalha pela Supremacia do Cacete

Bobó vs Binya - Round I

segunda-feira, maio 19, 2008

O Rebento de Nosferatu

Tomás Costa, o novo reforço dos Dragões, embarca numa viagem sem retorno até ao Velho Continente para espalhar toda uma sinfonia de horrores a tons de cinzento e vermelho-sangue. As parecenças com o seu progenitor não enganam, pois a milenar fachada do terror não conhece barreiras temporais ou futebolísticas.

Tremam, incautos oponentes. Ele vem aí.

segunda-feira, maio 12, 2008

Pensamentos Soltos Época 2007-2008

Cromo da Época: Leandro Lima. Este put...miúd...jov...homem esteve na base de uma descoberta tão marcante e surpreendente quanto a teoria da relatividade: o jet-lag de dois anos. Partiu de férias com 20 anos de idade, e chegou umas semanitas depois, já com 22. Será que viajou num DeLorean? Ainda por cima é parecido com o Nel Monteiro, o que só pode ser extremamente positivo. Força aí, Nel.

Treinador da Época: José Mota. Por ter batido o record Europeu de utilização consecutiva de bonés em conferências de imprensa, com 368. O extinto record pertencia a Boris Altiparmakovski, da Macedónia. Ainda por cima, adicionou este ano o suave bonézinho branco com altivo lettering vermelho do patrocinador "DIZ" ao seu já extenso arsenal.

Jogo da Época: 11-05-2008, SLB vs VFC: sempre que o auto-denominado maior clube do mundo, com o auto-considerado (isto existe?) melhor plantel dos últimos 10 anos (curiosidade: o plantel de 1998 era ISTO) festeja com foguetório, pompa e circunstância o 4º lugar na competitiva liga portuguesa, as escalas de teor cromífluo batem no topo. Ah, e o Nuno Gomes jogou.

Momento da Época: 2008-04-06, apito final do SCP vs.SCB. Hans Pontus Farnerud completa 90 min de jogo.

Passe à Secretário da Época: 11-04-2008, SLB vs. AAC - Luisão.

Golo da Época: 13-01-2008, Meyong Zé, CFB vs Naval: o único golo da história do futebol que faz perder 6 pontos à equipa do autor do tento. Ao mesmo tempo, o camaronês torna-se no melhor goleador da Liga, ao que o rácio golos/minutos diz respeito. Um golo em cada 35 minutos de jogo...uma época de ouro para o Zé africano.

60 Segundos da Época: 2007-08-18, LSC vs SLB: a totalidade do tempo de jogo de Andrés Diaz, a estrela das Pampas da equipa de Santos/Camacho/Chalana, durante a época inteira.

Contratação da Época: Gladstone (SCP). Quando um internacional brasileiro chega a Portugal e a única razão pela qual fica na nossa memória será por nos fazer lembrar um jovem Ralph Macchio bronzeado em Karate Kid, é porque as coisas não correram bem. Mas aqueles fogosos Keri e Gueri deixam marcas.

Alcunha da Época: Nuno "Gomes", do benfiquista Nuno Ribeiro. Quando o 3º melhor marcador da História do Campeonato Português empresta o seu último nome a...esqueçam...já toda a gente percebeu.

Caceteiro da Época: Gilles Augustin Binya (SLB) - desde Jean Claude van Damme em "Bloodsport" (1988) que ninguém conseguia causar tantos traumatismos em tão pouco tempo sem um par de matracas. Os 9 amarelos em 15 jogos são uma marca digna de Tahar, o Khalej.

sábado, abril 26, 2008

Com Alberto e Vicente...

Com Alberto e Vicente, o barbeiro sai feliz e o dentista sai contente.

Preliminarus Poll Nominalus

Caros ouvintes,
Decidimos colocar à vossa disposição mais uma Poll atractiva :)

Pois bem, continuamos com a corrida para o prestigiado galardão de Cromo do Ano de 2007.
Depois da Poll Fronha Agressiva, segue-se a Preliminarus Poll Nominalus. Os dois mais votados irão ganhar uma viagem em 1a classe para a Supra Poll Final, onde já estão confortávelmente instalados Armando "Le Petit" Teixeira e Delson, de rabiosque sentado no sofá da imortalidade suprema.

Dos nomes que passearam pelos relvados (às vezes campos de batata) portugueses no Annus Civilius de 2007, escolhemos uma catrefada deles para se deliciarem!
Alguns da II Liga, mas sendo nomes de profissionais, estão sujeitos a serem também eles eleitos reis dos nomes próprios menos próprios das BWINs e Vitalis da vida.

Votem! O vosso voto conta.
Se ainda nao viram a Poll, é só olharem um pouco para a direita e procurarem uma cenoura.

quinta-feira, abril 24, 2008

SUB 21 - o que mais voava




Não há muito a dizer.. as imagens e títulos de jornais mostram..
Há Folha de papel vegetal, de cavalinho, branca, de 22 linhas, azul, timbrada, da árvore, de acetato, a4, a3, a2, grosssa, fina.. e depois há a de qualidade, a FOLHA BRILHANTE. Aquela que voa nos relvados belgas, portugueses e gregos (sim, o Folha jogou no AEK!!)

Fiquem com a imagem e recordem-se (só na mente, porque nao tenho video nem nenhum link presidente do Sp. Braga para o Youtube) do centro, do passe, da magistral seta apontada à cabeça de Sá Pinto, no Euro-96, para o empate a 1-1.

Altos e Baixos de um Gigante

terça-feira, abril 15, 2008

Genialmente Pequeno

O Pequeno Genial (not related to Pereira, João) dá um nó cego num reguengos de 1992, logo após uma finta de corpo num moscatel bem frutado...excelente a revienga num Rosé!...continua imparável...fura pelo Croft 10 Anos...e...dá nisto que aqui vemos.

segunda-feira, abril 14, 2008

Ténis ou Beisebol?











P.S.: Com o devido Bem Haja ao compincha João Loff.

Yannick Djaló dá-lhe com a alma

Depois de ver o futebolista fetiche de Paulo Bento nos Ídolos, a primeira frase que me veio à cabeça foi "don't quit your day job".
Porém, lembrei-me depois que já o tinha visto jogar à bola e que aquele era precisamente o "day job" dele.
E sabem que mais? Não desistas do teu sonho, Yannick.

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